Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Definitivo
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Maior e melhor que amor
Às vezes me pergunto por que o amor,que dizem ser a coisa mais forte e importante que há, faz tanta gente sofrer. Entendo que algumas pessoas amam com impaciência, amam com possessão,ama com insegurança,amam com violência,amam com preguiça,amam das formas mais desajeitadas, e nada disso é coisas fácil de lidar. Mas o amor é assim mesmo, vem acompanhado de várias outras sensações, todas elas fora do nosso controle. O amor é lindo,mas também pode ser tenso,fóbico,difícil.Billie Holliday cantava “Não me ameace com amor,baby/vamos só caminhando na chuva”.
Chego à conclusão, então de que se o amor é nobre e ,ao mesmo tempo, ameaçador, deve existir algo muito melhor que amor.Muito maior que ele. Um que vários de nós talvez já tenhamos experimentado,só que,como esse sentimento nunca foi batizado,não o reconhecemos com facilidade. É difícil classificar coisas sem nome.
Maior que o amor,melhor que o amor: um sentimento que ultrapasse todos os padrões convencionais de relacionamento. Que prescinda de fogos de artifício por ter chegado e também dispense velório por ter partido, que se instale em radares em volta, que não nos deixe apreensivos para entende-lo e nem para traduzir seus sinais. Um sentimento que não se atenha à longevidade nem a uma intensidade medida pelo número de declarações verbais. Que seja algo que supere algo como matrimônio , família , adequação social. Que seja individualizado , amplo e sem contra-indicações.
O amor – como o conhecemos – é apenas um aprendizado, um estágio antes de a gente alcançar isso que é maior e melhor: um sentimento que independe da constante do outro, que confere à leveza da vida, que nos deixa absolutamente plenos e livres.Plenos o amor nos torna; mas livres? Não . O amor termina e isso nos atormenta. Quando é maior e melhor que amor, não termina , mesmo quando a relação se desfaz.
É um sentimento que,quanto mais forte, mais calmo. Quanto maior , mais discreto. A gente não pensa , não o compara , não o idealiza. Ele simplesmente encontra asilo dentro de nós e cresce sem a aflição daquelas regrinhas impostas ao amor. “tem que cultivar,tem que reinventar,tem que...”. Tem que nada. Tem apenas que curtir. É até bom que ele não tenha nome, símbolo, cor e teorias. Melhor assim , sem estampar capas de revistas, sem que ninguém use como argumento para cometer insanidades , sem virar mote para propaganda , sem fazer sofrer nas novelas e nem na vida.
Simplesmente enorme assim, sem ameaçar. Transcendente como um convite para andar na chuva.
Texto de Martha Medeiros do jornal O Globo de 12.06.2005
PS: texto devidamente autorizado pela autora.terça-feira, 3 de março de 2009
Dirigindo a vida.
Tirei do automático. Agora eu decido como vou guiar, se vou reduzir ou acelerar.
Freio.
Hora de segurar a onda.
Olho pelo espelho retrovisor. Tento ver o que passou, mas muita coisa já saiu do meu campo de visão.
Estou reabastecendo e fazendo a revisão para mudar de ares. Tiro o excesso de peso pra pegar uma nova estrada, um pouco mais complicada, mas no final o visual compensa.
Ligo o rádio - toda viagem precisa de uma trilha sonora - a minha vai ser mista.
Pneu furado.
Uma parada no meu trajeto. Saio do conforto, me sujo, mas reparo o erro e aprendo pra não arriar de novo.
E assim vou seguindo meu caminho. Entre erros e acertos eu vou passando pela estrada da vida. Com alguns arranhões na lataria, marcas do tempo.Mas nada que abale a continuação do trajeto...
[Thamires Travascio]
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Acordei bem cedo fui à Lagoa dei uma volta que diga de passagem tem 7,5 Km. Rs. Passei em Copacabana e voltei pra casa se meu dia tivesse terminado ai já estaria perfeito, mas acabei voltando pra Ipanema e dando uma volta no Arpoador que tava linda como sempre e ainda tinha a lua mais linda em conjunto com todo o visual. Tudo isso regado a musica boa,aos olhos do Cristo Redentor, um bom papo entre amigos e muitas risadas. Serviu como um repositor de energias que eu tava precisando.
Muito Obrigado Rio de Janeiro por Você ser assim.Cidade Maravilhosa.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
chegou sem muito alarde
ficou quieto no seu canto
e não falava nada
era tarde e você não parecia
estar muito à vontade
pegava o telefone e desligava
sem discar
eu sentia que você não estava bem
você estava apaixonado
eu não sabia bem por quem
e ela não correspondia
dava pra notar
pelo seu jeito de piscar demorado
de se manter atirado no sofá
sem fome, sem sede, sem sono
você não parecia um homem
e sim um cão sem dono
abandonado e não querendo mais nada
você não se conformava
deixava o rádio ligado
não fazia mais a barba
se punindo todo dia
por escolher outra vez
a mulher errada.
(Martha Medeiros)
domingo, 4 de janeiro de 2009


