quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

"Decifra-me, mas não conclua. Eu posso te surpreender."
( Clarice Lispector)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.

Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
(...)
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
(...)
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

(Clarice Lispector)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Este é um dia solitário, eu estou de coração partido e não consigo encontrar rostos conhecidos. Eu corro preciso me salvar de você , mas minha mente é mais rápida , me lança pra você , me mostra teu rosto me faz lembrar dos nosso momentos.

Me lembra aquela tarde que tudo que eu consegui dizer foi adeus. Mas são 23h e você fica voltando pra mim.

Queria agradecer a você. Obrigada pelo momento você partiu ter levado meu coração junto. Porque eu não quero voltar a amar não como eu amei você. Companhias agora são meras distrações pílulas de conforto pra minha solidão.

Queria te falar que tudo precisa de você ate a minha casa anda triste, silenciosa. Ninguém mais chutou a cadeira da sala, botou o som no ultimo volume, não se ouve mais teu riso simples, teu choro contido. aquela blusa que você usou na ultima noite que passou aqui ainda não foi lavada, seria como me livrar de vez de ti.

Tem uma mulher na nossa cama mais ela não é você, e quando percebo isso e pra esse caderno velho que eu venho escrever cartas que você nunca vai ler. te desejar mais uma vez aqui na nossa casa.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

(Clarice Lispector)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

(Carlos Drumond de Andrade)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Maior e melhor que amor


Às vezes me pergunto por que o amor,que dizem ser a coisa mais forte e importante que há, faz tanta gente sofrer. Entendo que algumas pessoas amam com impaciência, amam com possessão,ama com insegurança,amam com violência,amam com preguiça,amam das formas mais desajeitadas, e nada disso é coisas fácil de lidar. Mas o amor é assim mesmo, vem acompanhado de várias outras sensações, todas elas fora do nosso controle. O amor é lindo,mas também pode ser tenso,fóbico,difícil.Billie Holliday cantava “Não me ameace com amor,baby/vamos só caminhando na chuva”.

Chego à conclusão, então de que se o amor é nobre e ,ao mesmo tempo, ameaçador, deve existir algo muito melhor que amor.Muito maior que ele. Um que vários de nós talvez já tenhamos experimentado,só que,como esse sentimento nunca foi batizado,não o reconhecemos com facilidade. É difícil classificar coisas sem nome.

Maior que o amor,melhor que o amor: um sentimento que ultrapasse todos os padrões convencionais de relacionamento. Que prescinda de fogos de artifício por ter chegado e também dispense velório por ter partido, que se instale em radares em volta, que não nos deixe apreensivos para entende-lo e nem para traduzir seus sinais. Um sentimento que não se atenha à longevidade nem a uma intensidade medida pelo número de declarações verbais. Que seja algo que supere algo como matrimônio , família , adequação social. Que seja individualizado , amplo e sem contra-indicações.

O amor – como o conhecemos – é apenas um aprendizado, um estágio antes de a gente alcançar isso que é maior e melhor: um sentimento que independe da constante do outro, que confere à leveza da vida, que nos deixa absolutamente plenos e livres.Plenos o amor nos torna; mas livres? Não . O amor termina e isso nos atormenta. Quando é maior e melhor que amor, não termina , mesmo quando a relação se desfaz.

É um sentimento que,quanto mais forte, mais calmo. Quanto maior , mais discreto. A gente não pensa , não o compara , não o idealiza. Ele simplesmente encontra asilo dentro de nós e cresce sem a aflição daquelas regrinhas impostas ao amor. “tem que cultivar,tem que reinventar,tem que...”. Tem que nada. Tem apenas que curtir. É até bom que ele não tenha nome, símbolo, cor e teorias. Melhor assim , sem estampar capas de revistas, sem que ninguém use como argumento para cometer insanidades , sem virar mote para propaganda , sem fazer sofrer nas novelas e nem na vida.

Simplesmente enorme assim, sem ameaçar. Transcendente como um convite para andar na chuva.

Texto de Martha Medeiros do jornal O Globo de 12.06.2005

PS: texto devidamente autorizado pela autora.

terça-feira, 3 de março de 2009

Dirigindo a vida.

Acelero meu ritmo.Passo pela vida a cem quilômetros por hora. Não tenho mais tempo a perder parando em sinais de trânsito, pegando caminhos errados e atalhos que são práticos, mas que não fazem bem para a minha suspensão.
Tirei do automático. Agora eu decido como vou guiar, se vou reduzir ou acelerar.
Freio.
Hora de segurar a onda.
Olho pelo espelho retrovisor. Tento ver o que passou, mas muita coisa já saiu do meu campo de visão.
Estou reabastecendo e fazendo a revisão para mudar de ares. Tiro o excesso de peso pra pegar uma nova estrada, um pouco mais complicada, mas no final o visual compensa.
Ligo o rádio - toda viagem precisa de uma trilha sonora - a minha vai ser mista.
Pneu furado.
Uma parada no meu trajeto. Saio do conforto, me sujo, mas reparo o erro e aprendo pra não arriar de novo.
E assim vou seguindo meu caminho. Entre erros e acertos eu vou passando pela estrada da vida. Com alguns arranhões na lataria, marcas do tempo.Mas nada que abale a continuação do trajeto...

[Thamires Travascio]